Cidade e Antropoceno: Rupturas Conceituais e Horizontes de Reconfiguração Urbana

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12795/astragalo.2025.i40.01

Resumo

A contemporaneidade é vivida hoje entre duas rupturas profundas: um colapso ecossistêmico e outro humanista. Migrações forçadas, crises ambientais, desigualdades crescentes e tecnologias que aceleram a vida enquanto transformam nossa relação com o real definem um tempo marcado pela urgência e pela transição. Este número de Astrágalo convida o leitor a enxergar a cidade como o espaço onde essas tensões se intensificam, mas também onde podem surgir novos horizontes de criatividade, resistência e modos alternativos de habitar. De Gaia ao Capitaloceno, das redes digitais aos saberes indígenas, o percurso abre caminhos para compreender como o humano e o não humano se entrelaçam em um presente que exige novas categorias e sensibilidades. O Sul Global aparece aqui não como uma geografia fixa, mas como um terreno fértil para imaginar outras epistemologias, ecologias e formas compartilhadas de existência. Por meio de quatro eixos temáticos —“Arquitetura, Limites e Transformações”; “Arquitetura, Gênero e Alteridade”; “Arquitetura, Natureza e Cultura”; e “Arquitetura, Projeto e Sociedade”— o número convida à leitura de pesquisas que respondem, desde diferentes territórios e perspectivas, à pergunta central: como pensar e agir diante dos colapsos que já moldam o nosso mundo?

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Biografia do Autor

Manoel Rodrigues Alves, Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (IAU-USP) São Carlos

Professor do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (IAU-USP). Áreas de pesquisa: (re)significação da noção de espaço público, processos de produção da cidade contemporânea, espacialidades urbanas e práticas socioespaciais. LEAUC - Laboratório de Estudos do Ambiente Urbano Contemporâneo. Projetos em andamento: “Espaço público, atmosferas espaciais e metodologias críticas: cartografias, memórias e resistências”; “Atmosferas e Intermediários de um Urbanismo Menor: epistemologias de uma (outra) Arquitetura”; “Espaço Público, Pandemia e Cidade Contemporânea: resignificações” (Bolsa de Produtividade do CNPq). Projetos recentes: Vida em Arranha-céus e a Cidade Inclusiva (FAPESP- ANR); Equidade Urbana em Territórios Precários: ações socioespaciais participativas em Paraisópolis. Professor visitante na: ETSA-US, Universidade de Sevilha (Sevilha, Espanha); FADU-UNL, Universidade Nacional do Litoral (Santa Fé, Argentina); FA-KU Leuven (Bruxelas, Bélgica). Coordenador do Programa de Doutorado Duplo IAU-USP / ETSA-US. Consultor ad hoc para institutos e agências de pesquisa. Membro de comitês editoriais de revistas científicas.

 

Julio Arroyo, Universidad Nacional del Litoral, Santa Fe, Argentina

Arquiteto. (UNSF, 1981). Ex-professor titular de Design, Teoria e Crítica da Arquitetura e da Cidade na Faculdade de Arquitetura, Design e Urbanismo da Universidade Nacional do Litoral, Santa Fé, Argentina. Ex-pesquisador Nível II do Sistema Nacional de Pesquisadores. Docência e pesquisa centradas na problemática do espaço e da arquitetura pública na cidade contemporânea. Cursos, seminários, workshops e aulas em universidades da Argentina, Bolívia, Uruguai, México e Brasil. Professor visitante da Universidade de Utah (EUA) e da FA-KU Leuven (Bruxelas). Diretor da Revista ARQUISUR. Profissional independente com registro de filiação por aposentadoria. Membro do Júri do Concurso e colaborador do Colégio de Arquitetura e Urbanismo de Santa Fé. Pesquisador externo do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, Brasil.

 

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Publicado

2025-12-09

Como Citar

Rodrigues Alves, M., & Arroyo, J. (2025). Cidade e Antropoceno: Rupturas Conceituais e Horizontes de Reconfiguração Urbana. Astrágalo. Cultura Da Arquitetura E a Cidade, (40 (EXTRA), 9–39. https://doi.org/10.12795/astragalo.2025.i40.01