Vivência Mineral

Uma reflexão sobre a produção das cidades do Sul Global a partir da cadeia produtiva da indústria da construção

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12795/astragalo.2025.i40.05

Palavras-chave:

cadeia produtiva, capitaloceno, extrativismo, indústria da construção, sul global

Resumo

Este artigo tem, como objetivo principal, evidenciar que a forma como a arquitetura está sendo produzida nos dias de hoje é, em sua essência, insustentável. Através de uma pesquisa bibliográfica voltada para leituras críticas sobre os estudos da produção da arquitetura, e uma breve reflexão teórica amparada por um exemplo empírico, que faz um recorte de áreas de mineração na região de Arcos em Minas Gerais, Brasil, pretende-se apresentar como a exploração do trabalhador e da natureza são essenciais para a geração de lucro e como essa exploração está associada a um pensamento colonizador, tendo como resultado, uma reflexão final sobre a contribuição da arquitetura para esse modo de produção, a partir da relação entre a produção das cidades latino-americanas e a cadeia produtiva da construção civil. Utilizando das discussões sobre a acumulação primitiva do capital em Marx e Harvey, e do extrativismo em Aráoz, a ideia é mostrar que a cadeia produtiva da indústria da construção é uma ferramenta para o Capitaloceno, crucial para o seu desenvolvimento impositivo, que parte da acumulação primitiva, por meio do: extrativismo nas minas; na divisão do trabalho na indústria; e na formação de um canteiro alienado e ‘artesanal’, potencial gerador de mais-valia. 

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Biografia do Autor

Renan Duarte Specian, Universidade de São Paulo / Instituto de Arquitetura e Urbanismo

Mestrando em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (USP) no Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) onde pesquisa sobre o uso de pré-fabricação leve como alternativa técnica e econômica para canteiros de pequeno porte, na intenção de melhorar as condições de trabalho no canteiro. Membro do grupo de pesquisa em Habitação e Sustentabilidade (Habis). Possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Goiás - Unidade Acadêmica Especial de Ciências Sociais e Aplicadas - Câmpus Goiás (2024), onde realizou iniciação científica e participou de projetos de extensão voltados para a discussão do urbanismo e da arquitetura efêmera. Pesquisou para o desenvolvimento de seu Trabalho de Conclusão de Curso, a aplicação de tecnologias construtivas aliadas ao pensamento crítico sobre moradia estudantil no Câmpus Goiás da Universidade Federal de Goiás, Cidade de Goiás - GO.

João Marcos de Almeida Lopes, Universidade de São Paulo / Instituto de Arquitetura e Urbanismo

Professor Titular no Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, IAUUSP, em São Carlos/SP.  Atua como professor orientador no Programa de Pós-graduação do IAU desde 2007. Atualmente, dirige o IAUUSP. Coordenador do Grupo de Pesquisa em Habitação e Sustentabilidade - HABIS. Foi Pró-reitor Adjunto de Cultura da Pró-reitoria de Cultura e Extensão da USP (2014 - 2016). Vice-diretor da Estação Ciência (2014 - 2016). Doutor em Filosofia e Metodologia das Ciências pelo PPG em Filosofia da UFSCar (2006) e Mestre em Arquitetura e Urbanismo pelo PPG em Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos - USP (1999), graduado Arquiteto e Urbanista pela FAUUSP (1982). Bolsista Produtividade em Pesquisa do CNPq categoria/nível 2 (2018). É associado da USINA, onde foi coordenador geral (1990 - 2005). Atua principalmente nas áreas da habitação popular, assentamentos humanos, autogestão, mutirão, projeto do edifício, técnica e tecnologia, sistemas estruturais e análise de estruturas.

Henrique Duarte Ferrari, Universidade de São Paulo / Instituto de Arquitetura e Urbanismo

Doutorando desde 2024 em Arquitetura e Urbanismo pelo IAU USP (Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo), e membro do grupo de pesquisa Habis (Grupo de Pesquisa em Habitação e Sustentabilidade), onde estuda a respeito de técnicas não convencionais de construção e de organização produtiva e suas aplicabilidades por segmentos organizados da sociedade civil. Também possui conhecimento na área de Engenharia Civil, com ênfase em Materiais e Componentes de Construção Civil, e experiência em projetos arquitetônicos e desenho projetivo de obras de pequeno porte.

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Publicado

2025-12-09

Como Citar

Duarte Specian, R., de Almeida Lopes, J. M., & Duarte Ferrari, H. (2025). Vivência Mineral: Uma reflexão sobre a produção das cidades do Sul Global a partir da cadeia produtiva da indústria da construção. Astrágalo. Cultura Da Arquitetura E a Cidade, (40 (EXTRA), 109–128. https://doi.org/10.12795/astragalo.2025.i40.05